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Homens não tiram licença-paternidade por medo. Adivinhe do quê?!
Eu não tenho filhos. Mas em todas (T-O-D-A-S) as entrevistas de emprego que já fui até hoje sempre ouvi duas perguntas que meus colegas de profissão do sexo masculino provavelmente nunca ouviram de um recrutador: 1) você é casada? 2) você tem filhos – ou pretende tê-los? Por uma questão social e até econômica, as empresas se sentem no direito de questionar mulheres sobre sua vida íntima. O que importa para eles se sou casada, se tenho filhos ou até se os quero? Importa porque a empresa contratará um funcionário que terá que se ausentar por ao menos quatro meses, com remuneração integral, caso decida ter filhos. É muito tênue a linha entre o correto e o invasivo, neste ponto. Por um lado, a empresa tem o direito de se preparar para a possível ausência da funcionária, por outro, o fato de querer filhos não deveria ser levado em consideração quando se procura o candidato mais apto para determinado cargo. Mas a questão é que não dá para não dizer que, ao menos economicamente, vale mais à pena para empresa contratar um homem que vai se ausentar por, no máximo, 20 dias, caso resolva ter filhos. E é aí que mora um dos principais pontos da desigualdade de gêneros no mercado de trabalho.
Eu sempre tive uma resposta na ponta da língua para este problema: igualemos as licenças. Assim, não haverá motivo para ter preconceitos contra mulheres durante a contratação. Mas sempre tem alguém que responde que a ausência da mulher do trabalho – e presença constante com o bebê é também uma necessidade física. É ela quem amamenta, oras. (Sempre aparece também algum machista dizendo que o pai, nessas horas, só atrapalha, mas vamos ignorar os machistas, ao menos por agora). Ok. Então estabelecemos que a necessidade da mulher estar com o bebê nos primeiros meses é infinitamente maior que a necessidade do homem estar com o bebê. Mas e depois dos primeiros meses?

Minha solução é: vamos então dar seis meses de licença para a mulher e mais seis meses de licença para o homem, que podem ser tirados concomitantes ou não aos meses de licença da mulher, mas são compulsórios. Em alguns países, como a Suécia, já é assim. Lá, pais e mães dividem mais de 400 dias de licença (e cada um é obrigado a tirar ao menos três meses). Na Alemanha, pais e mães têm até o segundo ano do filho para dividirem também algo em torno de um ano de licença. Nessa onda, algumas empresas também passaram a dar licenças iguais para homens e mulheres, como o Facebook, por exemplo, que dispensa os funcionários por quatro meses recebendo 100% do salário (nos Estados Unidos, as mulheres tem direito a até 3 meses de licença – atenção – NÃO REMUNERADA). A Netflix, outra empresa americana, oferece um ano de licença para mães E pais.
Parece que tudo está caminhando bem, certo? Mais ou menos. Segundo umestudo publicado no começo da semana pela Deloitte, mais da metade dos homens que trabalham em empresas que oferecem licença-parental (sem distinção de gênero) disse que se sente desconfortável em se ausentar do trabalho para cuidar do recém-nascido.  E mais: um terço deles acha que tirar a licença-parental prejudicaria a carreira deles. Parece familiar? Pois é. E tem mais: 57% acha que tirar a licença seria visto como “falta de comprometimento com o trabalho” e 41% acredita que tirar a licença os faria perder oportunidades em projetos.  O pior é que este receio tem razão para existir. Os apenas 11% de mulheres ocupando cargos de CEO em companhias no Brasil tá aí para provar isso. Não, as mulheres não são menos competentes, nem menos escolarizadas, nem têm menos ambição. Elas tem SIM menos oportunidade.
Um terço dos homens acha que tirar a licença-parental prejudicaria a carreira deles. Parece familiar? Pois é.
“A licença-parental é muito mais do que se recuperar de um evento médico, é também um momento de formar laços com a criança e isso serve para os pais e para as mães”, disse Deepa Purushothaman, diretora da Deloitte´s Women´s Initiative.
O movimento feminista luta por igualdade – em todos os âmbitos – e isso também deve dizer respeito à licença-parental. Segundo o estudo 64% dos trabalhadores acham que as companhias deveriam oferecer a mesma licença para homens e mulheres. Por outro lado, 54% acha que os colegas julgariam mal um pai que tirasse o mesmo tempo de licença que a mãe. (alô, preconceito de gênero).
Para metade dos entrevistados, ter uma política real de licença-parental é mais importante até do que receber um aumento no salário (e não vamos nos enganar aqui, podemos amar o que fazemos mas, no final das contas, o que queremos também é ganhar dinheiro com isso). A licença-parental também é mais importante do que ter um chefe melhor ou até uma promoção.
Se as mulheres acabam perdendo oportunidade por causa da licença-maternidade, igualar a licença-paternidade e transformar tudo em uma licença-parental pode fazer com que homens também percam oportunidades. Pois é. Todo mundo perde. Mas, neste caso, todo mundo ganha também. Essa seria uma forma de corrigir a balança e garantir que as mães não sejam as únicas a colocar a carreira em risco. Pode parecer um pouco utópico, mas não seria muito melhor para todo mundo, inclusive para as crianças que acabaram de chegar no mundo?